terça-feira, 6 de abril de 2010
Ver vi vendo
comecei a escrever.
Sei que você nem tentou,
mas me convenceu.
Levantei, acendi a luz e sentei.
Estava em busca de um sentido
para aquilo que estava sentindo.
Acho que encontrei.
Para baixo e para direita
Incansavelmente preenchendo cada linha estreita
foi para onde deslizei minha mão a escrever
para ver se conseguia me entender.
Percebi que não preciso ter pressa e agora compreendo,
que para entender tudo isso, só vivendo.
E já decidi, com ou sem você, vou até os cem,
até lá já deu para me conhecer e conhecer alguém.
domingo, 4 de abril de 2010
Universo pautado
entrelinhas e estreletras,
no infinito desta caderneta
surgiu um novo sistema de planetas.
Nele, os únicos espaços
são entre as estrofes
e os parágrafos
são para você.
Nesse intrigante universo
cada verso é único.
Correndo os olhos de lá pra cá
palavras não vão faltar a lhe acompanhar.
Uma mistura de poesia com resenha,
de música com romance
para escrever até que se canse.
E se ao acaso a inspiração lhe faltar, improvisa e desenha.
Eclipse
pensando na noite,
em quão curta ela seria
mesmo ela sendo metade do dia.
E quão injusto é o dia
que a noite possuía
e nela embaralhava sua luz
escondendo-se daqueles olhos nus.
Com a saudade que sentia
lembrava de esquecer
somente quando o via
na chegada do alvorecer.
Ele chegava radiante
mas ela insistia em ir adiante.
Enquanto bastava, por um instante, um dos dois ficar parado
para, subitamente, estarem lado a lado.
Se em algum momento ele a encontrasse
durante um longo abraço
que não se abra espaço
nem para que a luz passe.
Complequecidade
Nós precisamos de oxigênio para respirar,
a cidade de fumaça circular.
Algo tão denso, capaz de individualizar
nos impedindo de enxergar.
São Paulo, atualmente considerada a mais importante
onde nossa ação já se tornou constante.
Um horizonte cada dia mais geométrico
Tornou o raio de Sol milimétrico.
Aqui vemos de tudo
japonesa loira, índio bigodudo,
negro, branco, amarelo, vermelho,
e até preconceituoso, aquele que nunca se olhou no espelho.
As indústrias um dia atraíram muitas pessoas,
um ato inconsequente, que faz sofrer muita gente.
Os cabra da peste, lá do Nordeste,
os de olho puxado, que vieram lá do outro lado,
dizendo que eram Deus, vieram os europeus
e os que sofreram tortura, os de pele escura.
A base da construção da cidade,
com muito pouco reconhecimento
o que restou foi apenas um lamento.
Aqui não falta, muito pelo contrário, sobra
e é esse excedente, que torna uma cidade decadente.